quinta-feira, 8 de maio de 2014

intensividade pt. I

havíamos eu e você. imiscíveis.
fluxos paralelos de líquidos inflamáveis.
nossos cursos, hora distintos,
foram alterados por nosso próprio jogo:
troca de olhares sedutores,
sucessivas cutucadas de provocação.

ela era uma represa de vontades,
fonte de hormônios em repouso
pronta pra se misturar aos meus
na primeira chance que houvesse.

sozinhos, em um mesmo ambiente,
nos colidimos feito ondas no recife.
nossas bocas entrelaçavam incansáveis
conforme nossas roupas iam ao chão.

sua pele branca delicada,
cheirava a puro desejo,
se arrepiava ao mais ínfimo toque.
ela perdia a noção como nunca vi,
se jogando e dançando sobre meu corpo,
falava coisas sujas ao meu ouvido.

em um ângulo favorável à mim,
ela colava o rosto no colchão,
olhava atrás e me dizia como era bom.
me deliciava por dentro,
e via minhas gotas de suor pingar
da ponta do meu nariz nas suas costas.

assisti de luz acesa seu juízo esvair,
e ela queimar tesão como combustível.
me pedia tapas, me arranhava,
fincava as unhas em mim
pra não flutuar e permanecer na cama.
puxava meus cachos da nuca,
gemia alto e ofegante,
enquanto a lambusava, lambia,
e assistia ela morrer e ressuscitar.

eis que nossos corpos se rendem.
suas pernas bambas, meu rosto cansado,
são evidências do fim de uma noite intensa.

ainda assim,
sem limites que somos,
queríamos mais...

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