quinta-feira, 16 de abril de 2015

libertini pt. I

por entre flashes de celular,
latas de cerveja vazias,
risadas e confusões,
eu prestava atenção em todos seus movimentos.

queria saber o que ela queria.
esta era a segunda vez que a encontrava
desde que a seduzi e a beijei naquele bar.

encerrada a festa as pessoas se dispersam:
hora de partir.
senti a chegada da despedida no portão.
me preparando pra voltar ouvi, de sua boca,
a palavra mágica... "entra".

senti um frio na barriga
enquanto caminhavamos até seu quarto,
e na espera, minhas dúvidas se misturavam
com a vontade de arrancar suas roupas.

ocupamos nossas bocas de beijos
que traduziam em estalos o que nossos corpos queriam.
no escuro as mãos perdidas procuravam o que desabotoar um do outro.
desabotoavam e jogavam tudo pro alto.

aos poucos o quarto se desarrumava,
com as roupas no chão, e cobertas reviradas.
agora as mãos já sabiam exatamente onde encontrá-la,
deslizavam por sua pele lisa, em todos os cantos.
encontravam a firmeza de seus seios e lá ficavam,
enquanto minha boca e língua degustavam outras regiões
descendo devagar por seu relevo curvilíneo.

experimentamos em ritmo cadenciado,
quase ensaiado,
uma serie de cenas ao som de poucas falas, e gemidos sussurrados.
até que cansado, eu caía ao seu lado rumo aos sonhos.

ao acordar, com a luz invadindo a janela,
ela ainda dormia junto a mim.
pude ver agora tudo aquilo que havia tocado na escuridão.
"delícia de mulher", pensei,
e me enrosquei em seu pescoço, às lambidas,
afim de acordá-la e começar tudo de novo.
e de novo... e de novo...

ao final de tudo,
nos encaixamos e nos olhamos por vários minutos..
dava risada de como ela sorria
e quando comentava sobre os nossos barulhinhos durante o ato.

aproveitei cada minuto.
perdi totalmente a noção das horas
e quando vi já era tarde....
eu ia embora,
com as promessas e dívidas de um retorno,
enquanto isso, ela pedir pra eu ficar.

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